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Fortes chuvas atingiram parte dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo no começo de março. As famílias perderam móveis, mantimentos e enfrentaram situações alarmantes, como falta de abrigo e de água potável. A Missão Integral (veja mais na matéria de capa desta edição) defende o respeito pela vida humana, sugerindo que cristãos/ãs ofereçam paz em situações de calamidade.

Rio de Janeiro

Segundo a Defesa Civil Municipal, somente em Maricá foram 1.163 pessoas desabrigadas. Muitas delas voltaram para casa sem móveis ou mantimentos. O pastor local do município, Izaías Santos, explica que, primeiro, os membros arrecadaram alimentos, água e roupas. Em seguida, buscaram doações de móveis. O pastor também conta como recebeu apoio de voluntários/as. “Já estávamos comprometidos/as em ajudar, porém não tínhamos recursos. No final do culto, um grupo apareceu trazendo mantimentos, cobertores e móveis. Isso mexeu bastante conosco”.
Em uma semana foram entregues 30 cestas básicas, cortes de carne, mantimentos, pilhas de roupas e um caminhão de móveis. O dinheiro de doações foi investido em caminhões-pipas e limpeza de poços artesianos. Mas ainda há muito trabalho a se fazer, principalmente no que se refere ao atendimento psicológico e espiritual.

O projeto de recuperação de dependentes químicos da igreja conta com o Dr. Leandro Bastos como psicólogo voluntário. Apesar de o profissional ser membro da Igreja Fonte de Água Viva, de Niterói, colabora com um trabalho totalmente voluntário na Metodista em Maricá. Agora o Dr. Leandro abre espaço também para atender vítimas da tragédia.

O pastor Bruno Fernandes, superintendente distrital da Igreja Metodista em Ararua­ma, ficou surpreso com a grande quantidade de respostas recebidas antes mesmo de se manifestarem pedindo ajuda. As Metodistas da região de Araruama, Silva Jardim e Saquarema criaram um comitê para oferecer atendimento emergencial às vítimas.

Na região de Araruama, os membros prepararam “quentinhas” para a comunidade. “Foram cerca de 35 refeições distribuídas no primeiro dia, e o trabalho continuou. Tentamos levar uma resposta social, e logicamente uma mensagem de amor e esperança”, conta o Pastor Bruno.

Em Silva Jardim, o pastor Hélio e a pastora Cláudia acolheram 12 pessoas em sua própria casa. O Conselho de Pastores Evangélicos do Munícipio de Araruama (COPEMA) foi essencial para a articulação das ações promovidas pelas instituições evangélicas. “Eles/as têm muita força na região, e conseguiram ajudar de forma geral”, conta o pastor.

São Paulo

2016_04_franciscomorato_alagamentoNo estado de São Paulo, as chuvas também não deram trégua. A Igreja Metodista em Francisco Morato perdeu parte do muro ao redor do templo no deslizamento de terra. Os membros já ajudam pessoas em situação de rua oferecendo mantimentos, roupas e alimentação em todas as noites de sábado. “Agora estamos arrecadando colchões e mais mantimentos para ajudar também as vítimas de alagamento. No sábado (12) já levamos um carro cheio de roupas para distribuir”, conta Ezequiel de Azevedo, pastor local.

Em Itaquaquecetuba, a Igreja Metodista atua no bairro de Monte Belo. No dia 17, o prefeito Mamoru Nakashima enviou seu assessor e alguns/as vereadores/as para discutirem um plano de ação social mais efetivo na cidade. “Estamos recolhendo doações e entregando para a prefeitura distribuir. A minha visão é que a igreja não pode realizar um trabalho apenas paliativo, mas integral”, conta o pastor Demosthenes dos Santos, ao destacar a importância desse trabalho mencionando o verso de Provérbios 31.9: “Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”, finalizou.

Proposta de criação do EMAH Brasil

O pastor Edvandro Machado, secretário executivo de Ação Social da 1ª Região, enviou uma mensagem às demais Regiões Eclesiás­ticas pedindo ajuda de todo o país para ações rea­lizadas na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Ele compartilha sua preocupação com o Estado, pois relembra que essa não é a primeira situação de catástrofe na região.

Segundo o pastor, o plano da secretaria regional é criar a Equipe Metodista de Ajuda Humanitária (EMAH) inspirando-se no sistema que já existe no Chile. “Hoje o governo não reconhece a ação da igreja nessas situa­ções, até mesmo porque um trabalho atabalhoado às vezes atrapalha os órgãos oficiais, por isso temos a intenção de nos organizar nesse sentido e atuar com protocolos internacionais”.

O secretário acredita que as igrejas ainda não encarnam a missão como deveriam. “Missão sem ser integral não é missão”, afirma Edvandro, que ainda menciona o texto de 1 João 3.18, onde se lê: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”, finalizou.

Escrito por: Sara de Paula