"Jesus viveu toda a sua vida como o Santo de Deus. Sempre agiu conforme o desejo do Pai"

Bispa Marisa de Freitas Ferreira

Somos pessoas que optamos por não adorar a ídolos/as. Servimos a um único Deus Trino (Pai, Filho e Espírito). Todo o nosso anseio é ouvir e obedecer ao Seu Querer. Assim entendemos o processo de Santificação: ouvir a voz Dele e cumprir a missão que nos concede. É por esse caminho que Ele mesmo vai nos separando cada vez mais para Si. Santa é aquela pessoa que se deixa guiar pelo Senhor e por Sua vontade:

I – Desde os primórdios

Desde sempre Deus desejou que sua criação O ouvisse, para que tudo lhe fosse bem. O querer de Deus é sempre bom, justo e verdadeiro. Entretanto, também desde sempre, a autossuficiência humana (que é aquele fruto do conhecimento do bem e do mal) afasta a humanidade (e o restante da criação) da bem-aventurança. Esse posicionamento humano conspira para o caos da civilização. Porém, Deus não se rende a esse acontecimento e persiste no propósito de modificar os rumos deste mundo, o qual tanto ama. E o ama a ponto de vir ao mundo como Deus Filho. Assim, Deus nos ensina como é viver em santidade.

II – O Santo

O nosso Pai de Amor, todo Santo, veio habitar na terra. Essa história é conhecida! Jesus viveu toda a sua vida como o Santo de Deus. Sempre agiu conforme o desejo do Pai. Dizia claramente: “(…) O meu alimento é fazer a vontade do Pai”. E mais: “Se vocês não comerem do meu corpo e beberem do meu sangue, não terão parte no Reino”. Ele nasceu, cresceu, viveu e morreu sempre de acordo com aquilo que Deus queria para Ele. No dia a dia da vida de Jesus, Ele não se nutria do que achasse belo ou feio, mas Ele confrontava a si mesmo com o querer de Deus. E sempre optava pela vontade do Pai. Ele era completamente separado para o nosso Pai que está nos céus.

III – A vida do Santo

Como Jesus, o Santo de Deus, vivia? Essa pergunta já gerou inúmeros volumes de textos, livros, concílios e teses, com o objetivo de dar uma resposta. Aqui só temos como dar alguns exemplos:
a-) O Santo e a família biológica: Jesus viveu com a mãe por aproximadamente 30 anos. Ele a via como parte de todo o povo de Deus, e não como uma propriedade particular e exclusiva, como um núcleo fechado e intocável. Existe uma família biológica, mas esta é parte de uma outra família que se estabelece quando a pessoa se converte a Deus. Isso é santidade familiar.
b-) O Santo e a amizade: Jesus teve pessoas amigas. Destaca-se aqui uma família formada só por três pessoas solteiras: Marta, Maria e Lázaro. Não se fala de pai, mãe, esposo/a e filhos/as. E Jesus, também solteiro, se hospedava nessa casa e amava essas amigas e esse amigo, nunca deu qualquer aparência do mal. Isso é santidade familiar e comunitária.
c-) O Santo e a mulher “malfalada”: Ele conviveu com muitas assim: aquela que lhe lavou os pés na casa de Simão; aquela que foi apanhada em adultério; aquela que sofria de hemorragia por 12 anos e outras. Como o Santo lidou com elas? Sem concordar com aquelas que viviam em vida promíscua, ainda assim se deixou tocar, falou com elas, respeitou-as e agiu diferente dos demais homens: amou-as vendo nelas a Igreja como sendo o corpo vivo de Deus. Anunciou-lhes a Palavra e elas passaram a tê-lo por Cabeça, “não por força e nem por violência”, mas por vê-lo como aquele que as amou e restaurou.
d-) O Santo e o poder religioso: Jesus sempre respeitou a fé judaica. Ele era judeu e foi criado nessa fé. Ele é o perfeito que encarna à vontade do Pai revelada em Abraão e Sara. Naquilo que a humanidade se limitou ou se distanciou do projeto inicial de Deus. Jesus jamais se desviou. Por isso mesmo pode confrontar seus equívocos indo ao templo, vai à sinagoga, explana a Lei para doutores/as da religião, mas, quando necessário, denuncia a hipocrisia, a arrogância, o abuso de poder e o descuido com as pessoas enfermas e viúvas.
e-) O Santo e o poder político: Jesus tinha claro para Si: “Se a César foi dada autoridade, deve ser honrado. Mas a honra maior é de Deus”, afinal, César fora formado pelo Criador. Portanto, há espaço para o governo humano (desde Gn 1.28ss), mas este precisa conscientizar-se de que não é Deus. Caso contrário, o caos se faz presente, por exemplo, Lava-Jato, Petrolão e outros.
f-) O Santo e as crianças: Ele foi criança e tudo indica que nunca se esqueceu de seu passado. Quando os/as discípulos/as discutiam quem entre eles/as seria o/a maior no Reino de Deus, Jesus tomou uma criança no colo para exemplificar (Mc 9.33-37). Quem tem recebido as crianças em nome de Jesus? Quantas morrem diariamente vítimas de fome, falta de atendimento médico, violência doméstica, aborto?
g-) O Santo e as riquezas: para o Santo, a riqueza era aquilo que a traça e a ferrugem não corroem. Não acumulou bens. Não teve casa própria. Não teve terra, nem gado. Falou do trabalhador que chegou à seara depois de todos/as e disse que era digno do mesmo salário das demais pessoas; patrão que compartilha sua riqueza por pura bondade.
Acima estão apenas alguns exemplos.

IV – Frutos de Santidade

Parece simples: olhar para o Santo e fazer o que Ele fez e faz; esta semente gera fruto de santidade. Mas será simples mesmo? É isso que fazemos? O Santo é a nossa referência? Há santidade como a do Santo em nós? Que ideia temos de santidade?
Que o Senhor tenha misericórdia de nós e que a Sua Graça nos alimente dia após dia.

No Senhor, fazendo discípulas e discípulos!

Escrito por: Marisa de Freitas Ferreira | Pastora no exercício do episcopado