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Li um livro, quando adolescente, que me impactou: O contrabandista de Deus. Falava da história do irmão André e de como levava bíblias escondidas para a Rússia e países da Europa na década de 1950. Recentemente esse livro me veio à mente quando assistia a uma reportagem acerca do terrorismo. O programa levantava questionamentos sobre os/as terroristas: como pensam, como são treinados/as, quais suas estratégias e técnicas para espalhar o terror pelo mundo. Imediatamente associei contrabandista a terrorista. Já pensou um livro intitulado O terrorista de Deus? Seria absurdo? A despeito de ser ou não absurdo, o fato é que fiquei extremamente impressionado com a forma que fazem para gerar terroristas. Percebi que, de alguma maneira, a essência pode ser usada de forma certa e santa, a fim de gerarmos discípulos/as e espalharmos a santidade bíblica sobre a terra.

3 características que mais me chamaram a atenção:

 

1 – São discipulados/as desde crianças

O terror gera terroristas ainda na infância. O segredo é que desde crianças aprendem tudo sobre a causa.
A bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).
Se discipulado é estilo de vida, então nossos/as filhos/as, nossas crianças na igreja precisam ser ensinadas desde cedo.
Nossas crianças, além de serem discípulas de Jesus, devem sim fazer discípulos/as de Jesus!

2 – Estão aptos/as a dar a sua vida pelo que creem

Assistimos ao terrorismo ter êxito pelo mundo por uma razão muito peculiar: eles/as não têm medo de morrer. Sua causa é maior que a sua vida!
O apóstolo Paulo, na Carta aos Filipenses, afirma: “Porquanto para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21).
No meio cristão, temos visto cada vez mais aumentarem as pregações sobre prosperidade, bênçãos materiais, e cada vez menos sobre a cruz de Cristo, sobre o morrer para si mesmo. Isso é sinal de que a Igreja está cada vez mais amando o mundo do que as coisas de Deus.
O discipulado como estilo de vida nos leva a abrirmos mão da zona de conforto e, em casos extremos, a darmos nossa vida pelo próximo e pela implantação do Reino de Deus.
“Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a vida por nossos irmãos” (I João 3.16).

3 – Mesmo sendo poucos/as, geram um impacto tremendo no mundo

Vejam as características que tanto nos deixam perplexos/as: não são muitos/as os/as terroristas envolvidos/as diretamente num ataque, mas as estratégias para atingir os alvos são estudadas, revisadas e treinadas me­ticulosamente, e os alvos são escolhidos com maestria. A tragédia de 11 de setembro de 2011 resultou no atentado terrorista no World Trade Center em Nova Iorque e Pentágono, nos Estados Unidos da América, que abalou o mundo inteiro, demonstra isso.
Precisamos de um discipulado de impacto descomunal, no qual as estruturas do mundo sejam abaladas. Relembremos o efeito do ministério de John Wesley na Inglaterra. Não é exagero dizer que ele impactou profundamente a história da Inglaterra e da América, chegando até nós, nos dias de hoje.
Não estou aqui fazendo apologia ao terrorismo, pelo contrário, fico indignado com o grau de eficiência que conquistam. Eficiência esta que, como discipuladores/as, muitas vezes deixamos a desejar.

 

Concluindo, precisamos:

  • Criar nossos/as filhos/as e crianças de forma que o discipulado seja o estilo de vida deles/as. Isso só acontece pelo exemplo;
  • Viver o discipulado, ou seja, sermos tão apaixonados/as pelo discipulado de Jesus a ponto de darmos nossa vida por Ele;
  • Avaliar qual tem sido o nosso impacto em todas as áreas onde estamos inseridos/as.

    “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus e eu abalarei o mundo” (John Wesley).