2016_02_politica_igreja

Os últimos acontecimentos no cenário político brasileiro nos levam a refletir com temeridade acerca dos rumos da nação. A crise econômica acompanha esse momento agravando ainda mais a situação. A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo, assim, uma crise chama outra e, nessa sucessão de maus desdobramentos, cada vez mais o chamamento de Deus para um posicionamento do seu povo se torna urgente: “e se esse meu povo, que se chama pelo meu Nome, se humilhar, orar e buscar a minha face, e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e seus erros e curarei a sua terra” (2 Cr 7.14). Se um abismo chama outro, então o contrário se aplica, ou seja, uma ponte chama outra, as ações do bem puxam outras, é quando um bom exemplo inspira outros.

Quando o bem atua, descobre-se que a operação do mal é pior e maior que se sabia. Se formos entrar nos pormenores de cada crise que se instalou, veremos que há uma ligação entre todas elas e a fonte é sempre a mesma: a ganância pelo poder e pelo dinheiro. No que diz respeito às ações práticas do povo evangélico para resistir e denunciar o mal e anunciar o bem, não há um comando nacional que represente todos/as eles/as, no entanto, as denominações que têm publicado manifestos, de modo geral, adotam posicionamentos similares, admitem que a justiça deve ser feita, que esse país precisa de Deus e de pessoas levantadas por Ele.

Seus/uas fiéis são levados/as à reflexão de que não se deve projetar apenas para o futuro, na vida eterna, o desfrutar enfim da cidadania celestial, como também temos participação agora como cidadãos/ãs do mundo que habitamos. Os/as evangélicos/as são chamados/as para dar testemunho por meio da vida reta e ética desde as pequenas ações, como honestidade no troco, na declaração de impostos e até nas que decidem nossos representantes pelo voto.

O Colégio Episcopal da Igreja Metodista posicionou-se nas eleições de 1998, entre outras afirmações, que a Igreja Metodista reconhece que é sua tarefa docente capacitar os membros para o exercício de uma cidadania plena; o propósito primordial dessa missão é servir ao Brasil através de participação ativa do povo metodista na formação de uma sociedade consciente de suas responsabilidades. Também manteve uma posição firme em relação ao pedido de Impeachment da presidente Dilma até que termine as investigações (Veja Expositor Cristão edição de janeiro).
No século 17, na Inglaterra, as motivações gananciosas não eram tão diferentes de hoje. Conforme o relato de Mateo Lelièvre em seu livro “Vida e Obra de John Wesley”, Montesquieu fez uma visita à Inglaterra do século 17, ocasião em que observou um quadro no qual afirmava que os ingleses haviam se vendido e, por isso, não mereciam confiança. A motivação para isso era o mesmo mal que vemos na política de nosso país, assim estava escrito: “Aqui se aprecia muito o dinheiro, mas mui pouco a honra e a virtude. Os ingleses já não são dignos de sua liberdade, pois a venderam ao rei e se o monarca a devolvesse, eles negociariam novamente”.

Montesquieu ainda observou: “Não há religião na Inglaterra, quatro ou cinco membros da Câmara dos Comuns frequentavam a missa ou o culto oficial. Se porventura alguém falar em Deus, todos riem. Enquanto estive ali, tendo alguém dito que acreditava em algo como se fosse um artigo de fé, todos os presentes irromperam em gargalhadas. A condição religiosa da Inglaterra parecia-me pior do que a da França, apesar de esta última ainda estar debaixo da Regência. Na França, dizem que eu tenho pouca religião, e, na Inglaterra, a possuo demais”. (LELIÈVRE, Mateo. João Wesley: sua vida e obra. São Paulo: Ed. Vida, 1990. p. 11).

A falta de Deus leva o homem a se apegar a outro poder. Não foi para menos que na constatação de Montesquieu faltava Deus e sobrava sórdida ganância. Qual análise que podemos fazer ao considerar nosso país, que apesar de ter aumentado significativamente o número de evangélicos/as, não diminuiu na mesma proporção os problemas políticos e sociais? Não nos falta posicionamento em documentos, mas até que ponto nossa atividade tem gerado benefício para o país? Acredito que pior seria para o Brasil sem o povo que ora. Apesar de crer que podemos fazer mais pelo Brasil enquanto povo que teme a Deus e crê no seu Nome, pondero que as ondas de denúncias, corrupções vindo à tona, processos e condenações são também resultados de oração e de ação do povo do bem, pois o mal não fica encoberto diante da luz de um Deus Justo.