Grupo de crianças estudando

Vivemos tempos de desafios para o cristianismo como um todo, uma Europa que para os sociólogos da religião tem vivido um pós-cristianismo. Pensando nos Estados Unidos, por exemplo, uma nação em que a maioria é cristã e que pode ser comparada com outras nações onde o cristianismo também é maioria, como aqui no Brasil. A Sociedade Bíblica Americana (SBA) e o instituto de pesquisa Barna divulgaram dados alarmantes sobre a leitura da bíblia. Apesar de os os/as cristãos/ãs possuírem a bíblia em casa, em muitos casos até mais que uma versão, praticam muito pouco sua leitura. Divulgada no final de 2013, essa foi a última pesquisa da SBA sobre esse tema.

O estudo, apesar de ter três anos, ainda serve como um alerta global para as nações de maioria cristã. Entre os/as entrevistados/as, 66% concordaram que “a Bíblia ensina tudo o que uma pessoa precisa saber para viver uma vida significativa”, mesmo assim, 57% dizem que a leem menos de cinco vezes por ano. E o mais revelador: 58% dos/as cristãos/ãs dizem que não querem seguir todos os ensinamentos da Bíblia. Embora 88% dos lares possuam mais de um exemplar da Bíblia, em apenas 13% deles ela é lida diariamente. Somente 43% das pessoas dizem que ler a Bíblia as faz sentir “mais perto de Deus”; 34% dizem que isso as faz “sentir em paz”. O livro de Salmos é apontado como a leitura predileta para 16%. O que era uma das claras marcas da reforma protestante, liderada, entre outros, por Martinho Lutero, a ideia de que as escrituras deveriam estar na língua do povo e que com a ajuda da imprensa todos pudessem ter facilidade de tê-la, tornou-se um desafio. Agora, não é mais a busca pelo acesso às escrituras, mas a busca pelo envolvimento, a vontade maior dos/as cristãos/ãs de conhecerem e aprenderem mais sobre as escrituras sagradas.

“Vejo a Escola Dominical como uma ferramenta fundamental para a implantação do discipulado”

Educação Cristã

Nesta vertente, a Escola Dominical se torna uma das ferramentas fundamentais no incentivo à prática da leitura e do conhecimento bíblico. Mesmo que muitos/as líderes não acreditem mais nessa marca de trabalho, um verdadeiro discipulado só pode ser vivido à luz da palavra de Deus. Assim sendo, a indagação que faço é por que então não valorizarmos mais a Escola Dominical, que encontra na sua base o estudo e o aprendizado da palavra de Deus? Pensando um pouco em herança, precisamos lembrar que a Igreja Metodista é o berço da Escola Dominical, onde encontramos registros históricos do ano de 1769. “Hannah Ball, uma jovem de 26 anos de idade, criou a primeira escola dominical. O testemunho de João Wesley ao trabalho de Hannah é eloquente. Em muitas de suas cartas ele valoriza o trabalho por ela desenvolvido. Onze anos mais tarde, em Gloucester, um jornalista metodista, Robert Raikes, criou a primeira escola dominical para os meninos de rua, ensinando-lhes, além da Bíblia, aritmética e inglês. Podemos dizer que ele é o “pai” da educação popular! Equivocadamente tornou-se conhecido como o criador da Escola Dominical, pois só anos mais tarde as pesquisas revelaram a jovem Hannah Ball” – trecho de uma das publicações do historiador João Wesley Dornelas (1932-2012). Como pastor de uma igreja metodista, vejo a Escola Dominical como uma ferramenta fundamental para a implantação do discipulado em nossas igrejas, sendo que discipulado e ensino (Escola Dominical) são bases e precisam andar juntas. Que possamos lutar em nossas igrejas locais a fim de fortalecer a escola dominical juntamente com as bases do discipulado para que assim consigamos mudar a realidade de que ter uma Bíblia não é a mesma coisa do que conhecer a Bíblia, ou de que se dizer cristão/ã ou discípulo/a de Jesus é verdadeiramente ser cristão/ã e discípulo/a de Jesus.