2016_02_confdehomens_posicionamento

A Confederação Metodista de Homens esteve reunida na Sede Nacional da Igreja Metodista, em São Paulo, nos dias 15 a 17 de janeiro. Planejamentos e decisões importantes foram tomadas, por exemplo, o apoio para o fim da violência contra a mulher. Os presidentes das várias federações regionais, além do assessor designado pelo Colégio Episcopal para acompanhar a Confederação, bispo Roberto Alves de Souza, participaram de momentos de comunhão e frutificação. Em um dos momentos do encontro, o bispo Roberto leu e refletiu com o grupo sobre o texto de I Reis 2.2 “(…) Coragem, pois, e sê homem!”

Sua reflexão nos lembrou de que ser homem não é somente pertencer a um gênero, mas ser íntegro, zelar pelo seu caráter, por sua honra, por sua palavra, ser humilde reconhecendo suas fraquezas. Foi pensando nessa palavra encorajadora que os homens chegaram à conclusão de como a Confederação pode agir de maneira relevante na sociedade, contribuindo, assim, para a construção de um mundo melhor.

“Entendemos que é necessário envolvermo os homens na defesa da igualdade de gênero”

A Confederação entendeu que uma das bandeiras que pode ser levantada nessa busca é a da não violência contra a mulher. Defensor dos direitos de um povo desfavorecido, o pastor batista Martin Luther King dizia que “uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la”. Sob essa visão, a violência não é criadora de coisa alguma, ela sempre é destruidora, mesmo quando sua justificativa se apresenta legítima. No ano que terminou, as estatísticas sobre a violência contra a mulher revelaram que esse é um sério problema social que vivemos no Brasil; tomamos conhecimento de que, a cada dois minutos, cinco mulheres são vítimas de violência doméstica e, a cada uma hora e meia, uma mulher é assassinada. Na maioria dos casos o agressor é seu companheiro ou ex-companheiro.

Ser uma pessoa melhor, fazer parte de uma igreja relevante implica em posicionamento que não admite omissão. Nessa esteira, sabendo que o silêncio é cúmplice da violência, não concordando com a violência, menos ainda admitindo ser cúmplice dela, a Confederação Metodista de Homens vem neste momento se posicionar a favor do fim da violência contra a mulher.
A Bíblia nos ensina que o Espírito Santo nos ungiu para pregarmos libertação, para nos opormos às forças da morte e da destruição. Forças essas que nos fazem crer que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, esse conceito não é cristão, violência doméstica é problema nosso, sim.

Uma pessoa, homem ou mulher, não é posse, não é propriedade de ninguém, merece ser amada, ser respeitada e, neste momento social em que a mulher é tão violentamente atacada, precisamos iniciar um processo de desconstrução dessa realidade. Entendemos que é necessário envolvermos os homens na defesa da igualdade de gênero, precisamos levantar a bandeira da não violência contra a mulher, defendermos um relacionamento conjugal sadio, cobrarmos da Igreja Metodista que estamos construindo que seja relevante nesse aspecto. Finalizamos propondo às Confederações de Mulheres, Jovens e Juvenis que este ano de 2016 seja marcado por nossa unidade em favor da família, nos opondo efetivamente à violência doméstica e às forças da destruição, levando para dentro de nossas igrejas o enfrentamento dessa questão mostrando ao mundo que servimos ao Deus da vida.

Violência doméstica

Cresceu 56%, em 2015, o número de denúncias de violência doméstica no 180, Central de Atendimento à Mulher. Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, explica que as mulheres hoje estão entendendo que a violência é injusta e por isso buscam mais ajuda. Segundo Cristina Pechtoll, Secretária Adjunta e Diretora de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres e Equidade de Gênero, “está sendo tirada debaixo do tapete uma problemática que sempre foi escondida”.

Com a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, houve o aumento da divulgação de equipamentos que encorajam e asseguram a denúncia: “as mulheres agora têm instrumentos que vão auxiliá-las a sair da situa­ção de violência”, afirma Cristina. Um desses equipamentos, na cidade de Santo André/SP, é o Vem Maria, que disponibiliza assistência psicológica, financeira e jurídica para vítimas de violência, como explica a psicóloga Renata Lessa.

Assista ao vídeo e confira a reportagem: