Grupo se seis pessoas, bíblias abertas, vistas dos alto

São 180 anos desde que a primeira Escola Dominical metodista aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro. Foi em junho de 1836, sob a coordenação do primeiro missionário metodista, o Rev. Justin Spalding, que, quatro meses depois, em 1º de setembro, destacou em seu relatório: “Aos domingos às 16h30, mais de quarenta crianças e jovens, em oito classes dirigidas por quatro professores e quatro professoras, sendo duas dessas classes formadas por negros/as, uma falando em inglês e outra em português, reuniram-se para estudar a Palavra de Deus”. O relatório de março de 1837 informa que existiam pessoas que caminhavam de duas a três milhas sob sol forte até o lugar das aulas. A escola dominical está presente no caminho da Igreja Metodista e, assim, na vida das pessoas que nela congregam.

A riqueza da língua portuguesa nos permite trazer significados distintos à mesma palavra, é o que acontece com o vocábulo presente, que pode significar, entre outros, uma forma de se referir ao tempo; a nossa participação diante de algum fato ou evento, e ainda algo que graciosamente damos ou recebemos de alguém. Quero pensar o papel da nossa escola dominical por meio desses significados.

O Evangelho de Lucas, capítulo 24.13-35 pode nos ajudar nessa reflexão. Ele trata do encontro de Jesus com as duas pessoas que saíam de Jerusalém a caminho de Emaús. A dor e o medo presentes pela morte do Mestre tiraram aqueles discípulos de Jerusalém. Há pesquisas que apontam que essa pessoa junto a Cleopas não era um discípulo, mas uma discípula: Maria, sua mulher (Jo 19.25). Gosto desta realidade: ver Jesus se fazendo presente ao mesmo tempo em igualdade diante de um homem e de uma mulher. A presença de Jesus mudou a história daquelas pessoas, elas puderam expressar suas dores, Jesus as ouviu atentamente, mesmo percebendo que não havia sido reconhecido. Ele relembrou e, mais uma vez, explicou as promessas de Deus presentes na história do povo e fez questão de reafirmá-las. Do caminho para dentro de casa, lá estava Jesus partilhando do mesmo pão com essas pessoas. Que presente! O gesto concreto de partir o pão finalizou o que começou lá no coração: os olhos se abriram. Era hora de voltar à mesma estrada, mas agora o caminho era inverso, com o coração aquecido, transformado pela presença de Jesus, voltaram para a velha Jerusalém. Era hora de dar a outras pessoas o melhor presente já recebido: a certeza da salvação e da presença cuidadora de Jesus em todas as situações que o presente apresenta.

Tal relato nos inspira a pensar na importância de uma Escola Dominical presente na vida. O que desejamos afirmar com isso?

A Escola dominical está presente na nossa tradição!

Há quem, erradamente, desqualifique a tradição por achar que ela se torna um passado que impossibilita o diálogo com o presente; ledo engano. Em nossa gênese está a educação, e não me reporto apenas à Igreja Metodista, seguramente ela está presente na história da nossa igreja por ser parte da tradição cristã. A trajetória de Jesus é marcada pelo ensino (Mateus 4.23; Marcos 1.22; Lucas 20.21; João 6.45). Certa vez escutei a afirmação: Jesus ordenou à igreja que fizesse discípulos/as e ensinasse-lhes a guardar os mandamentos, ele não disse “ensine-os/as a entender os mandamentos”. Ainda que eu não tenha feito uma pesquisa do verbo usado no original, não tenho medo de afirmar que só conseguimos guardar o que de fato entendemos, uma coisa não exclui a outra, pois, para guardar os mandamentos, é preciso entendê-los. A Escola Dominical da nossa Igreja está fundamentada em garantir às pessoas um espaço de aprendizagem que não deposite informações sem reflexões, mas que, através do diálogo e da partilha de experiências, sob a inspiração do Santo Espírito, se apreenda as verdades do Evangelho que permanecem para além do tempo.

A Escola Dominical no presente não ignora o passado para considerar o futuro!

Por meio da memória e da expectativa vivenciamos, no presente, o passado e o futuro, essas três experiências sempre se conectam. Jesus relembrou o passado ao seu discípulo e discípula e isso transformou o futuro deles/as e da igreja. O presente e o futuro da nossa escola devem ser construídos coletivamente, levando em conta as experiências passadas. Uma Escola Dominical feita por mim e por você exige a participação de toda a Igreja. As metodologias usadas no passado podem não ter mais tanta eficiência agora, isso indica a necessidade de avaliação, planejamento e compromisso com a mudança. Nós somos responsáveis pelas mudanças que desejamos!

A Escola Dominical é um presente para a nossa vida!

A melhor forma de a Escola Dominical estar presente na vida da Igreja é ser um presente para cada irmã e irmão que dela participa e também para quem não participa. Os presentes dados e recebidos possuem em si laços de afeto, e a afetividade é fundamental na aprendizagem. Afetividade, comunhão, inspiração são o que devemos encontrar na ED que deve sempre estar conectada com a vida. O maior presente que a Escola Dominical pode dar é a oportunidade para que as pessoas se conscientizem da importância do aprendizado da Bíblia para a maturidade cristã e, assim, fortalecer o compromisso com a missão e com o discipulado como estilo de vida. Esses são os eixos das nossas revistas de Escola Dominical.

A Escola Dominical presente na vida é o tema da próxima campanha do nosso departamento nacional.

Uma Escola Dominical presente na vida é aquela que se coloca no caminho de quem dela participa; valoriza quem está presente e quem não está; acolhe todas as perguntas; leva em conta as experiências pessoais positivas e negativas; promove o sentar junto em sala de aula e fora dela e desperta a consciência de que a Palavra de Deus deve estar presente na nossa vida, na nossa casa, no nosso caminho.

Essa é a Palavra que nos guiará com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida e estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.12-13).

Sempre é tempo de fortalecer a educação cristã e a escola dominical em nossas igrejas. Colocamo-nos à disposição para ouvir, partilhar experiências e colaborar no que for preciso. Ainda em tempo, a nossa equipe deseja aos irmãos e irmãs, um feliz 2016 no amor de Jesus Cristo.