Homem com roupas dos tempos bíblicos escrevendo na areia

Ao escrever essa reflexão, lembrei-me de um jovem rapaz, que nos momentos iniciais de sua conversão carregava consigo muitas dúvidas e profunda curiosidade para entender os princípios desta nova vida que se propunha seguir. Sua sede de conhecimento foi gradativamente saciada pelos ensinamentos adquiridos na Escola Dominical e por leituras que completaram seus questionamentos acerca de Jesus Cristo, por exemplo: sacrifício, redenção e temas como salvação, céu, morte, inferno, vida eterna, pecado, perdão e tantos outros assuntos relacionados ao Evangelho.

A Igreja que somos hoje é fruto de uma continuada retransmissão de ensinamentos que desde sua origem caracterizam o modo de ser cristão. É claro que não devemos ser ingênuos/as e pensar que esses ensinamentos se mantêm inalterados desde o primeiro século da era cristã. As orientações e ensinamentos propostos como instrumento de formação daqueles/as que eram acrescentados/as ao Evangelho passaram por transformações significativas ao longo dos séculos. Os conceitos de nossa cultura pós-moderna influenciam cada vez mais o modo de ser e de viver o Evangelho, dando vazão para que modelos e recursos de muito sucesso na formação de grandes corporações sejam enxertados nas Igrejas e transformados em modelo de crescimento.

O que nos mantém firmes e nos caracteriza como igreja cristã são as nossas bases doutrinárias, herdadas de um movimento que priorizava o ensino e a instrução. Para a comunidade cristã do primeiro século, a educação deveria ser exercida como um modelo, como uma qualidade que homens, mulheres e jovens deveriam estar aptos a desenvolver em sinal de sua maturidade cristã. Um bom exemplo são as recomendações de Paulo a Tito (Tt 2.1-7).

Em um artigo produzido sobre a Educação na Igreja Primitiva, o bispo Josué Adam Lazier reitera: “O ensino foi fundamental na preparação dos novos membros para o batismo. Foi fundamental também para a transmissão da tradição cristã, que se constituía das palavras, ensinos e atos de Jesus Cristo. Para a compreensão de muitas coisas que Jesus disse e ensinou, o uso do Antigo Testamento foi necessário e determinante. Isso dá evidência de que algum método de ensino foi usado e de que a educação cristã na igreja foi observada com bastante rigor”.

Os ensinamentos dos Apóstolos, que no primeiro século se desenvolveram como marca da identidade cristã, se transformaram em uma compilação conhecida como Didaquê. O nome grego que se refere à doutrina, ensinamento ou instrução funcionou como um importante método para a Catequese e a liturgia Cristã. O zelo, a seriedade, a preparação e o cuidado com a vida foram, durante muito tempo, um sério compromisso firmado por esses/as educadores/as que, mesmo no anonimato, retransmitiam de forma prática ensinos de um Evangelho que capacita, transforma e liberta.
Nesse sentido, todos/as nós somos desafiados/as a agir de forma íntegra e corajosa na continuidade desse ensinamento libertador que precisa ser reproduzido em nossas Escolas Dominicais, em nossos cultos e em nossa prática de vida, com o testemunho que caracteriza a boa e maravilhosa notícia do Evangelho de Cristo.