Imagem de protesto contra o governo na Avenida Paulista em São Paulo

O/a jornalista luta diariamente para que os acontecimentos não fiquem esquecidos no tempo. O Expositor Cristão já registrou, por exemplo, as Guerras Mundiais, era Vargas, Kubitschek e Diretas Já. Voltemos à política nacional; o Brasil está em um momento de instabilidade devido aos casos de corrupção e processo de Impeachment instalado na Câmara dos Deputados contra a presidente Dilma Roussef. A Igreja Metodista, até que se prove o contrário, se posicionou.

“Enquanto Colégio Episcopal somos contra o impeachment da Presidente Dilma, pois, ao menos até agora, não há nenhuma acusação de ilícito cometido pessoalmente por ela, da qual tenha se beneficiado economicamente ou politicamente”, disse o bispo Adonias Pereira do Lago (veja entrevista nesta página). O pastor da Igreja Metodista em Carlos Prates, Belo Horizonte/MG, considera um grande golpe o pedido de impeach­ment aceito pelo deputado Eduardo Cunha. “É um quadro lamentável de uma ‘extravagante’ ignorância política. Esse processo é uma tentativa de golpe, um retrocesso na nossa caminhada democrática”, disse o pastor Roberto Lugon.  O deputado Áureo Ribeiro faz um alerta. “Não se trata de golpe, haja vista ter previsão em nossa Carta Magna. No sistema parlamentarista temos a dissolução do Gabinete de Governo. No presidencialismo, adotado no Brasil, temos o Impeachment”, disse.

O pedido de afastamento da Presidente Dilma, que foi admitido pelo ainda Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi formulado pelos juristas Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, e Miguel Reale Júnior. O pedido inclui as “pedaladas fiscais” do governo em 2015. “Temos que ter clareza de que o pedido existe, é consistente e foi redigido não por políticos, mas por juristas”, enfatizou o deputado Áureo. Segundo pesquisa da Datafolha, em agosto do ano passado (antes do pedido de impeachment), a taxa de rejeição do governo da Presidente chegou a 71% dos brasileiros que consideravam seu governo ruim ou péssimo, número superior ao do ex-presidente Collor (1990-1992), que chegou a 68%. Atual­mente o número de rejeição do governo petista é de 67%. Ainda entre agosto e novembro, a avaliação regular do governo Dilma passou de 20% para 22%, a taxa dos que o consideram ótimo ou bom, de 8% para 10%, e 1% não opinou. O resultado representa o segundo pior índice de rejeição à gestão da petista desde o início de seu primeiro mandato, em 2011. Nesse levantamento realizado no final de novembro, foram coletadas 3.541 entrevistas em 185 municípios brasileiros.

Milhares de brasileiros têm ido às ruas. Uns a favor do impeachment, outros contra, afirmando que, de fato, trata-se de um golpe e pedem a cassação do deputado Eduardo Cunha. “Cunha é a pobreza da política. Há mais de 25 anos (desde a Telerj) ouve-se ‘Fora, Cunha’. Ele reagiu por vingança, além de ter sido estimulado pelo próprio governo, sob a liderança do vice-presidente Michel Temer”, destacou o professor universitário e metodista Ricardo Lengruber. O bispo Adonias aponta que a Igreja Metodista já teve uma participação bastante ativa na vida pública, mas precisa retomar esse espaço. “Bom seria se houvesse metodistas marcando presença em cada cidade dentro de uma visão integral do ser humano na vida pública”, disse.

O pastor Lugon faz outros apontamentos em relação à ação da Igreja na política. “A Igreja sempre teve uma atuação pífia em todos os sentidos da nossa política”, finalizou. Para quem se lembra da história, alguns metodistas já ocuparam as tão sonhadas cadeiras na Câmara dos Deputados. Guaracy Silveira, Aldo Fagundes e, mais recente, o deputado Áureo Ribeiro. “Esses deputados lutaram, e agora o Áureo tem lutado por uma vida idônea e pelas causas sociais em seu estado”, lembrou o bispo Adonias. Jesus ou Barrabás? Em um processo democrático, nem sempre o povo faz a melhor escolha. Na ocasião da crucificação de Jesus, a escolha foi para a libertação de Barrabás. O povo sofre com a opressão ao escolher mal seus representantes; ainda é cedo para tomar partido e fazer um pré-julgamento, resta-nos orar por nossas autoridades. Lengruber acredita em outra possibilidade: “talvez a saída esteja na economia que as estatísticas não contam; esteja na força do trabalho dos pequenos que sempre levaram este país nas costas”, finalizou.